Monthly Archives: April 2014

Book Presentation: The Economic Development of Latin America Since Independence (New York, January 31st, 2013)

Hello to you all. Here’s my first contribution to the EH bar, with due apologies to Sebastián for the lagged publication. Hope you enjoy it!

Measuring Clio

Photography by Manuel A. Bautista Gonzalez.

It has been well over a year of the presentation of “The Economic Development of Latin America Since Independence,” held at Columbia University in the City of New York, with the participation of José Antonio Ocampo (co-author, SIPA/Columbia), Alan Dye (Barnard College) and John H. Coatsworth (Columbia University), moderated by Pablo Piccato in Columbia University in the City of New York, on January 31, 2013.

I am biased to believe the contents of the book presentation are still relevant. I post this transcript to pay a debt to my Uruguayan friend and colleague Sebastián Fleitas (University of Arizona), who aided Luis Bértola and José Antonio Ocampo as a research assistant for this book. The transcript would certainly benefit from (even) more editing. But as it happens most frequently in grad school, I lack the time to do that. Without further ado, here’s the baby with a birth…

View original post 2,133 more words

Advertisements

Leave a comment

Filed under Uncategorized

Antes de Reagan: O surgimento do monetarismo na política da década de 1960.

Economist december 7 1963 Cover

 

Para ganhar notoriedade pública, um economista não pode ser apenas um acadêmico. Assim como Keynes, Milton Friedman compreendeu a importância de disseminar suas ideias fora da academia e se transformou em uma figura política central no período do pós-guerra. O objetivo desse ensaio é relacionar a aceitação das ideias de Friedman, especialmente o Monetarismo, a sua maior participação política a partir da década de 1960. A pesquisa foi centrada nos Arquivos Históricos do New York Times, principal jornal de âmbito nacional, entre 1930 e 1965.

Apesar da eleição de Ronald Reagan em 1980 ser normalmente considerada o marco das políticas defendidas por Friedman, suas ideias popularizaram-se durante a disputa à presidência de 1964, através do candidato Republicano Barry Goldwater. A participação de Friedman na sua equipe econômica ocorreu após o lançamento de dois livros que o colocaram na esfera pública: Capitalismo e Liberdade de 1962 e História Monetária dos Estados Unidos, de 1963.

Citações sobre Milton Friedman: 1945-1990 (Ngram)

MF

No meio acadêmico, Friedman obteve reconhecimento desde o início da sua carreira. Entrou na Rutgers University com 16 anos em 1928 e terminou em 1932, onde foi prontamente aceito para os estudos de pós-graduação na Universidade de Chicago. Sua primeira menção no New York Times ocorre justamente em uma lista de menção honrosa aos formandos de junho de 1932 (NYT, 11/06/1932). Com um financiamento da Social Sciences Research Council, em 1935, Friedman obteve seu primeiro trabalho em Washigton, no National Resources Committee, em pesquisas relacionadas ao New Deal (Hammond, D. Milton Friedman. Econ Journal Watch. Volume 10, Issue 3, September 2013. NYT, 29/04/1935). Em 1937, ele foi para o NBER trabalhar com Simon Kuznets no que seria seu primeiro trabalho de impacto, uma estimativa sobre diferenças salariais entre diferentes grupos profissionais. As diferenças salariais foram atribuídas a “restrições de entrada” deliberadas para manter o salário alto, especialmente em relação à profissão médica (NYT, 05/02/1939). A importância desse período no NBER também veio do trabalho com Anna J. Schwartz, que resultaria no livro sobre a história monetária dos EUA.

Como professor da Universidade de Chicago a partir de 1946, Friedman começou a aparecer mais ativamente no debate público, participando de programas de rádio com Theodore Schultz (Round Table: “Rich Man. Poor Man.” Theodore W. Schultz, Milton Friedman, Louis Virth – WNBC. December 22, 1946.) e de comitês defendendo o ensino de estatística no ensino primário junto com Harold Hotelling (Statistics Urged as Liberal Study” (NYT, 05/09/1947). No entanto, o tópico de maior importância no período do pós-guerra era a inflação. Friedman em 1946 havia publicado com George Stigler, quando ambos ainda estavam na Universidade de Minnesota, uma crítica ao congelamento dos aluguéis efetuado pelo governo. Eles defendiam a ideia que o congelamento de preços iria piorar a oferta de moradias e prejudicar a população mais pobre (Friedman, M; Stigler, G. Roofs or Ceilings? The Current Housing Problem. Popular Essays on Current Problems. Vol.1, n.2 Sep, 1946). Em 1948, com a proposta de um maior controle de preços feita pelo Presidente Truman, Friedman enviou junto com outros professores na Universidade de Chicago, como Frank Knight e Aaron Director,  uma carta ao editor do New York Times defendendo que os controles não funcionariam. A solução para a inflação viria com o controle da oferta de moeda: “Variations in the general price level and wage level are in the main determined by variations in the quantity of money” (NYT, 11/01/1948).

A popularidade de Friedman continuou ao longo da década de 1950. Em 1958, ele participou de um programa de televisão chamado “The Great Challenge”, com outros cinco economistas, incluindo John Kenneth Galbraith, para debater os problemas enfrentados pela economia norte-americana (NYT 24/03/1958). Enquanto a influência de Friedman crescia suas ideias ainda encontravam resistência dentro do governo. A eleição de John F. Kennedy em 1961 e sua proposta de aumentar os gastos do governo federal em programas sociais, como moradias populares e planos de saúde para idosos, gerou protestos de organizações que defendiam austeridade nas contas públicas. Entre elas, a Câmara do Comércio dos Estados Unidos, que chamou Friedman para debater com membros do partido democrata e criticar as propostas de Kennedy (NYT 04/05/1961). Como forma de popularizar suas ideias entre o público não acadêmico, e assim conseguir maior legitimação política, em 1962, a Universidade de Chicago criou um comitê, chamado de Free Society, para traduzir estudos econômicos para o “inglês coloquial”. Segundo Friedman, no lançamento do comitê:

“Much of the best of analysis relevant to policy in a free society is highly technical. […] The idea of this project is to see whether it is possible to arrange for cooperation between the authors of such articles and competent professional writers to produce a series of articles that would be placed in outlets of quasi-popular appeal.” NYT 23/04/1964.

Essa tentativa de influenciar o debate público por parte da Universidade de Chicago encontrou um período de aumento na radicalização política nos Estados Unidos, como o debate sobre o Civil Rights Act e o assassinato do Presidente Kennedy em 1963. Devido à crescente polarização partidária, durante o início da década de 1960 surge um movimento conservador dentro do Partido Republicano. Apesar de inicialmente ser considerada uma “revolta pseudoconservadora”, ou caracterizados pela mídia como um grupo de “nut cases”, esses republicanos conseguiram em pouco tempo reunir diferentes grupos conservadores e, de uma forma surpreendente, assegurar a candidatura de 1963 do Senador Barry Goldwater, defensor de políticas “libertárias”, para a presidência da República (Brennan, Mary C. Turning right in the sixties: the conservative capture of the GOP. The University of North Carolina Press, 1995).

Sendo uma pessoa com pouca educação e que se declarava publicamente contra a ideia de utilizar consultores para os mais diversos assuntos (uma crítica à equipe de acadêmicos de Kennedy), Goldwater era visto com desdém pela elite intelectual do país. Segundo John Kenneth Galbraith: “Just fromreading Goldwater’s speeches, I can’t think of a man who needs professors more.” (NYT, 31/03/1964). No entanto, após vencer as primárias do Partido Republicano e ser o nomeado para concorrer à presidência, Goldwater montou uma equipe de acadêmicos das mais diversas áreas. Entre eles, destacava-se o “importante economista não keynesiano”, Milton Friedman, que se tornou o mentor do plano econômico de Goldwater. Dentre as propostas do plano, destacava-se a expansão da oferta monetária a uma taxa constante e o fim da taxa de câmbio fixa, dois pilares do monetarismo que seriam efetivamente adotados na década de 1980 (Albert Kraus. “Views of Chicago Educator Admired by Goldwater” (NYT, 26/07/1964). A mudança de política econômica dos republicanos conservadores fica evidente quando muitos economistas do partido, que serviram durante o governo de Eisenhower, se recusaram à apoiar as políticas de Goldwater (Republican Economists Split on Goldwater, NYT, 31/07/1964). Friedman já era visto como um “monetarista genial”, que tinha se tornado crescentemente mais ativo na política devido a sua “obrigação de auxiliar a esclarecer o debate” (A Talk With a Goldwater Man (NYT, 03/10/1964).

Mesmo tendo perdido as eleições devido as suas “posições políticas altamente impopulares”, a campanha de 1964 colocou em evidência a já chamada “Escola de Chicago”. Em um período em que a maioria dos economistas acadêmicos era Democrata, a candidatura de Goldwater estabeleceu as bases para o chamado movimento conservador da década de 1980. Além do de conservadores como Ayn Rand, Goldwater obteve apoio do futuro governador da Califórnia em 1966, Ronald Reagan (Jones, D. S. Masters of the Universe. Hayek, Friedman and the Birth of Neoliberal Politics. Princeton U. Press, 2012).

Com a ineficácia das políticas keynesianas para controlar a inflação e retomar o crescimento durante a década de 1970, as ideias de Friedman tornaram-se a alternativa utilizada nas políticas econômicas durante o governo Reagan. A proeminência do Monetarismo fora da academia teve que esperar o momento político certo.

5 Comments

by | April 9, 2014 · 12:10 am