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The Economist (1843) – Liberal Brazil and the British Protectionism

“Thus a country from which we receive such liberal treatment, which takes from us on the most favoured terms manufactures to the amount of at least 2,600,000l. per annum, finds that we practically prohibit from our consumption every important article which it produces”

This is from the first edition of The Economist, 170 years ago (front page). The country referred to as being the liberal one is, surprisingly, Brazil. The Economist was born among the Corn Laws’ debate, and the asymmetry between Brazil and UK trade tariffs was the perfect example of the anti liberal bias of the British parliament

With the 1827 treaty, it was established that British manufactures were to be admitted into the Brazilian Empire at rates not to exceed 15% (ad valorem).

Complaints regarding the “unequal character” of British trade were due the following taxes applied to the most important Brazilian exports.

SUGAR, COFFEE, and COTTON WOOL.

“On the former, we impose a duty of 63s. per cwt., equal to 300 per cent. on the value when landed in our docks, and equal to 150 per cent. above the duty chargeable on sugars produced in our own colonies, which in practice is quite prohibitory, and we consequently consume none of their sugar. On their coffee, even by the new tariff, we impose a duty equal to 200 per cent. on its value landed here, and equal to 100 per cent. above the duty chargeable on coffee produced in our colonies, and we consequently use little or none of their coffee. On their cotton wool we impose a moderate duty (the same as on North American), and of this article we import to a value under 250,000l. annually; to which, if we add a few other articles to a small extent, we may compute their exports to this country for our consumption about 300,000l.”

 

http://www.economist.com/node/1857194

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Debate público sobre economia brasileira. O mesmo em 150 anos.

É interessante como o centro do debate público sobre economia não muda ao longo de quase 150 anos.

Do livro Elementos de Estatística, de 1865. Sobre uma possível reforma da legislação comercial no Brasil.

“Não sou sectario dos direitos excessivos, e muito menos das tarifas amplamente protectoras , porque entendo que no primeiro caso o contrabando cresce na razão directa da subida dos direitos alfandegaes, e no segundo é obrigar os consumidores a comprar o peior por mais altos preços, prohibindo a concurrencia que é o principal alliciente para o melhoramento da producção e industrias; comtudo entendo que certas e determinadas industrias que se achão nacionalisadas no paiz, carecem de protecção, até que tenhão tocado ao ponto de poderem concorrer com as similares do estrangeiro ; e fundado nestes principios farei algumas observações sobre a tarifa actual, baseando-me nos dados officiaes, a fim de firmar as minhas proposições .”

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Lincoln’s crazy plan to send the freed US slaves to Amazonia

Lincoln espertalhão

From the New York Times, December 28, 1862.

This is part of a published letter from Mr. James Watson Webb, US Minister to Brazil, regarding the idea of President Lincoln to solve the necessity of obtaining a place or colonization for the persons manumitted (the freed black population)

“In one word, the finger of God, in my mind, points to the northern provinces of

Brazil as the future home of the manumitted negro of the United States; and thus, by the simplest of all means, the United States, Brazil, and the freed negro, are all to be equally benefited by one and the same measure, viz.: A treaty between the United States and Brazil, by which all the freed negroes of the United States shall be transplanted to the region of the Amazon at the expense of the United States, and there be endowed with land gratuitously by Brazil, and at the expiration of a term of years become citizens of Brazil, with all the rights and privileges of the free negro population of the empire”

There is also a thesis from the History department at USP telling this plan from President Lincoln. More about this story: http://revistapesquisa.fapesp.br/2009/02/01/o-dia-em-que-o-brasil-disse-nao-aos-estados-unidos/

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A primeira vez como tragédia e a segunda como farsa

Getulinho e seu chimarrão.

A eterna promoção de campeões nacionais:

Folha de São Paulo, 3 de agosto de 1975:

“Senhores, estamos vivendo um neo-getulismo!” – foi a frase arrebatadora de um economista à saída do gabinete de Reis Veloso, após recente reunião desse ministro com empresários brasileiros do setor privado. Tal classificação deve-se ao convite que o governo vem fazendo aos empresários brasileiros para que ocupem espaços vazios da nossa economia, oferecendo-lhes, para tanto, uma série de vantagens, entre elas injeções de recursos através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE).

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Thomas Skidmore e Caio Prado Jr.

O mito do envolvimento direto dos EUA no golpe militar de 1964 no Brasil é algo que perdura até os dias de hoje.

Em 1976, durante o governo Lyndon Johnson, a abertura de arquivos previamente classificados levou a descoberta da chamada Operação Brother Sam. Esta operação previa um “plano de contingência” através de oferecimento de armamentos e combustível caso houvesse resistência armada ao golpe militar. A resistência não veio e o porta-aviões norte americano Forrestal permaneceu a certa distância da costa brasileira.

O personagem que se vinculou diretamente ao episódio do porta-aviões foi o embaixador dos EUA no Brasil entre 1961 e 1966, Lincoln Gordon. Além de porta voz da Guerra Fria no Brasil, Gordon recebeu em 1965 um manuscrito enviado pela Harvard University Press chamado Politics in Brazil: An Experiment in Democracy, 1930 – 1964 (conhecido no Brasil como De Getúlio a Castelo, publicado em 1969). O embaixador vetou a publicação do livro, que posteriormente seria lançado pela Oxford University Press em 1967.

O autor do livro, Thomas Skidmore, sendo norte americano e conhecendo Gordon, sofreu algumas críticas durante a década de 1970 de ter sido conivente com o golpe militar, principalmente devido à omissão em seu livro das suspeitas do envolvimento do governo norte-americano.

Recentemente, em uma entrevista para a Folha de São Paulo, Skidmore reconheceu que ficou sabendo do golpe militar no Brasil um dia antes: Skidmore jantou no Rio com o embaixador americano Lincoln Gordon um dia antes do golpe, em 31 de março de 1964. “Ele foi passar um telegrama para Lyndon Johnson [presidente dos EUA] contando as novas e pedindo que o governo americano reconhecesse o novo regime. Ele disse que tinha ganhado.”

No entanto, o fato de saber do golpe apenas algumas horas antes e a omissão em seu livro (lançado antes de existirem provas concretas) não pode servir de base para diminuir a importância que Skidmore teve para o desenvolvimento da história no Brasil. Uma das provas que o historiador era um crítico severo do regime brasileiro aparece na edição dos 40 anos de aniversário do lançamento de Politics in Brazil. No prefácio, o professor James N. Green (Brown University) cita uma carta de Skidmore ao editor do New York Times denunciando os excessos do governo brasileiro em fevereiro de 1970.

Fazendo uma pesquisa, consegui localizar a carta, que foi publicada dia 8 de março de 1970.

(Os direitos autorais são do New York Times.)

Brazilian Dissident

To the Editor:

Since the overthrow of the legally elected Government of Brazil in 1964, scholars abroad dedicated to the study of Brazil have watched with indignation successive encroachment upon the civil liberties of the Brazilian people. In the past months we have been shocked to learn of systematic efforts to muzzle the press, to silence public criticism at all levels, and to jail or exile those who protest against torture ‘ imprisonment without cause, and suppression of civil rights.

It has now been announced that Caio Prado Jr., historian, philosopher and political figure of international stature, will be brought to trial before a Brazilian military tribunal for political opinions published years ago in a university publication.

In the cause of decency and the defense of the natural right of all men to voice their opinion without fear of imprisonment, we, members of the international community of scholars, protest this act on the part of a military tribunal while simultaneously deploring the inhuman treatment of political dissidents.

We doubt that ever in the history of Brazil has there occurred more systematic, more widespread, and more inhuman treatment of political dissidents.

RICHARD MORSE, THOMAS SKIDMORE, STANLEY STEIN, CHARLES WAGLEY

New York, Feb. 23, 1970

The Signers are from Yale, Wisconsin, Princeton and Columbia, respectively, and are specialists on Brazil.

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O paradigma dos direitos de propriedade.

Antes de começar o post, quero parabenizar Leticia Arroyo Abad, colaboradora do blog que publicou mais um excelente artigo no Journal of Economic History.

Agora, de volta a programação normal.

Em um artigo no JEH de 1973, Armen Alchian e Harold Demsetz atestaram que historiadores econômicos poderiam contribuir muito para sanar a ignorância sobre três temas envolvendo direitos de propriedade:

(1) What is the structure of property rights in a society at some point of time?

(2) What consequences for social interaction flow from a particular structure of property rights?

(3) How has this property right structure come into being?

Partindo destes questionamentos, quero levantar algumas dúvidas que tenho sobre os estudos acerca da Lei de Terras no Brasil, de 1850, especialmente os textos clássicos de Emília Viotti da Costa e Warren Dean. O argumento dos autores é basicamente que as terras eram vendidas por um preço alto para dificultar a compra de terras pelos imigrantes recém-chegados. Por exemplo, segundo Dean (1971, p.613), citando políticos comtemporâneos à lei.  “any immigration scheme must force the Europeans to contract their labor to them rather than expend it on their own land in the West.” ***** Importante mencionar que Dean cita que algumas terras no Brasil tinham valores inferiores ao preço das terras públicas nos EUA durante a década de 1850.

A preocupação sobre a ocupação da terra devia-se ao aumento da entrada de estrangeiros no país através do estabelecimento de Sociedades Colonizadoras e medidas para facilitar a naturalização de estrangeiros (1850). O gráfico a seguir mostra o aumento do número de estrangeiros pós 1850.

ImigraçãoBrasil

Entretanto, dada a carência de séries de salários reais, os questionamentos que ficam com o estudo de Costa e Dean são: O valor das terras realmente dificultava a compra pelos imigrantes? Se existiam vários projetos de colônias de povoamento no país (Sul e Nordeste), o objetivo não seria facilitar o acesso às terras?

Em relação a ultima pergunta: como a lei era nacional, existia um conflito em estabelecer um preço para a terra que atraísse estrangeiros para as colônias de povoamento ao mesmo tempo em que alocasse trabalhadores nas fazendas de café. O que realmente estava acontecendo? Parte da resposta envolve o acesso ao crédito por parte dos estrangeiros.

Primeiro, utilizando alguns dados, podemos especular o valor real dos lotes nas colônias. Utilizando algumas publicações do ano de 1875, tem-se que um trabalhador rural no sul do país ganhava em média de 1$300 a 2$000 por dia. Os documentos informam que o consumo de alimentos envolviam gastos entre 300 a 400 réis por dia. Segundo o regulamento para as colônias no Império, aprovado pelo decreto n.3784 de 19 de Janeiro de 1867 (uma atualização da lei de 1854, que determinava o tamanho e preços dos lotes rurais e urbanos), o pagamento dos lotes dava-se em cinco prestações, a contar do fim do segundo ano do estabelecimento. O valor do terreno rural pequeno era de 300$000 (independente do local). Utilizando uma estimativa de 25 dias de trabalho por mês, com o trabalhador alocando 30% da sua renda para o pagamento da moradia (400 réis – utilizando o menor valor de salário -, lembrando que o pagamento do lote incluía ferramentas e uma casa de 1 cômodo), seria necessário um período de 30 meses para o pagamento total. Ou seja, o período de 2 anos sem pagamentos mais 6 meses utilizando o cálculo mais conservador.

Existem ainda muitas lacunas para conseguirmos ter forte evidência do valor real das terras brasileiras para os estrangeiros, mas esse cálculo especulativo apresenta alguma informação para elucidar a questão. O mais interessante no entanto, foi o que ocorreu depois do estabelecimento das colônias no sul do Brasil, onde o valor da terra começou a importar cada vez menos, pois os colonos simplesmente não pagaram sua dívida com o governo (mas isso é assunto para outro post).

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Quem bebia café Made in Brazil?

Todo mundo sabe a história: Café era o rei das exportações brasileiras durante boa parte do século XIX e início do XX.

Entretanto, uma questão interessante refere-se aos consumidores deste café. A grande demanda do café brasileiro por parte do trabalhador nos EUA poderia ser um indicador para a diferença de salários reais entre a América do Norte e a Europa?

Segundo o Almanak do Brasil de 1910:
“Em relação especialmente á propaganda do café pensa o illustre Ministro que é necessário, por uma propaganda racionalmente feita, collocarmos o nosso principal produto ao alcance das classes menos favorecidas da fortuna — que são as mais numerosas — e que actualmente conhecem como café uma bebida cujo uso lhes repugna, por ser effectivamente intragável. Aliás é sabido que, em geral, na Europa, o café como o apreciamos entre nós, quasi que é um privilegio da gente abastada.”

 

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